Obrigado

04/09/2009

Já estou em Portugal há alguns dias, a tentar processar tudo o que vivi e experienciei durante a minha viagem. Há coisas que parecem fazer menos sentido agora do que antes de ir, a viagem não acabou no dia que aterrei em Lisboa e senti muito mais facilidade em adaptar-me a Nova Delhi do que novamente a Lisboa. Podemos viver numa sociedade desenvolvida e bastante estável, apesar disso não sinto que vivamos melhor do que os outros povos, não acho que possamos alterar isso, é consequência do facto de sermos humanos, viciados nas próprias ambições. Nisso ninguém é diferente de nós, estas características podem é passar despercebidas por baixo de problemas estruturais muito mais sérios do que a nossa motricidade apodrecida de desenvolver uma sociedade sem rumo.

Ao mesmo tempo preparo-me para uma nova etapa enquanto começo outro ano de faculdade. Já tenho novas ideias e mais projectos para este ano, por enquanto no segredo dos deuses :)

Confesso que gostei muito da experiência de manter este blog, e quero deixar aqui o meu obrigado a todos os que seguiram a minha viagem através desta página. Este será o último post deste blog e fica dado como terminado uma vez que já cumpriu o seu objectivo e não faria sentido aqui continuar a escrever.

O meu obrigado a todos

Bruno Vaz Moço,

Lisboa Setembro 2009.


Que força nos agarra à vida? Que nos desperta de manhã e nos dá força para levantar. A vida é engraçada. Lutamos todos os dias por mais e mais sem fazer ideia porquê. Aprendemos e crescemos, “viajamos para nos perder, e depois para nos encontrar”. Estou neste país há um mês, a lutar por uma sociedade que ainda sonha com os nossos medos. Sei qual é o meu papel aqui apesar de como muitos outros não saber porquê. Vim para aqui para ajudar estas pessoas, dar um brilho a uma criança que fosse, mas pergunto-me se vim por elas ou por mim. Acredito que foi por elas, mas não me sentisse eu melhor por isso não teria vindo certamente. É errado pensar desta forma? E fôssemos todos menos egoístas seríamos menos humanos? É uma das mais marcantes características da humanidade.

Os adultos andam de um lado para o outro, apanham comboios para um lado, e logo a seguir regressa outro cheio de mais adultos insatisfeitos com o destino dos primeiros. A verdade é que vivemos perdidos, a nossa inteira sociedade, capaz de colocar o homem na lua e destruir a Terra, vive perdida no medo. Da solidão. Devíamos ser todos um pouco mais crianças, com sonhos e ambições. Despreocupados e livres. Livres do vício da própria condição humana.

Acho piada pensar que vim para um país onde eu como todos os outros não tenho nada, e sinto-me completo. Desvalorizei tudo, valorizei poucas coisas, as mais importantes certamente.

Viajo pelas ruas de Jaipur e penso que estúpidos que somos nós, pessoas cultas e desenvolvidas que vivemos numa bolha de plástico, daqueles muito tecnologicamente apelativos, com protecção UV e à prova de comunicação com o terceiro mundo. No mínimo conveniente.

Romper com uma sociedade dormente começa em nós, cabeças livres capazes de sonhar mais alto.

Be the change you want to see, Mahatma Gandhi.
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Bem vivo!

31/07/2009

Olá! Bem sei que não tenho mantido um registo actualizado da minha viagem, a todos peço desculpa por isso. É verdade que não há um acesso fácil à internet aqui, muito para além disso o meu relógio parece ter ficado com 48 horas!
O meu projecto está a correr muito bem mesmo! Continuo a visitar escolas e fazer workshops com os estudantes. Eles estão a adorar. Já tive a minha formação com as Nações Unidas (UNDP), tivémos sorte porque quem deu uma das sessões foi mesmo o número um da UNDP India!
Amanhã mudo para outra escola! Para dar as sessões a mais crianças!
Já fui visitar as slums (favelas), caiu-me o queixo. Fui com um intérprete e outros estagiários. Nao consigo agora explicar o que senti na altura…

Espero que em Portugal esteja tudo bem, tenho saudades de todos vós, mas por nada voltava para aí hoje!

O fim de semana passado estive no deserto de Jaiselmer, deitei-me no telhado duma “casa” e dormi por baixo do céu mais estrelado que alguma vez vi.

Tenho que ir para agora par a minha reunião de projecto.

A todos um grande abraço!

Bruno

18/07/2009

OLÁ! Bem sei que já não escrevia há algum tempo, o meu acesso à net tem sido limitado.

As coisas aqui estão a correr bem! É difícil para mim descrever o que quer que seja para quem me lê em Portugal. São mundos paralelos, quando imaginamos terceiro mundo não é com certeza o que aqui se vê. Imaginemos o terceiro mundo, e depois o quinto mundo. Será qualquer coisa mais por aí.

As ruas são impressionantes, uma larga faixa de alcatrão e terra batida. Não existe tal coisa como faixas de rodagem, tanto pode haver 3 faixas como 9 faixas! O sentido é por onde houver mais espaço, ainda não entendi como ninguém choca! Alguns carros e motas estacionados nos lados da estrada por cima de um amontoado de lama e lixo deitado ao chão e depois as barracas de rua e pedintes deitados no chão.

Passeios é um conceito estranho aqui. As pessoas têm que andar na “estrada” tal como os carros, camiões, riquexós e motas. Para tornar a experiência ainda mais interessante temos os animais. Animais aqui não falta, e qualquer rua de Jaipur tem mais diversidade que o zoo de Lisboa. Há uns dias fui a pé pela estrada comprar comida ao supermercado quando sou ultrapassado por um camelo. É surreal. O mais giro é que para mim foi normalíssimo, de tão indiano que já estou! Os camelos são giríssimos, parece que se estão sempre a rir. As vacas já fazem parte da mobília e  é impossível ir à rua sem passar por 10 vacas a ver os carros passar. No outro dia estava a andar de riquexó, dia normalíssimo, quando dou por mim estou num cruzamento com uma fogueira no meio da estrada, três porcos a comer lixo no meio da lama ao lado da estrada, o cheiro fétido dos esgotos a céu aberto, o riquexó ficou preso entre vários camiões e de repente umas 15 crianças vêm a correr para o meu riquexó a puxar por mim e a pedir dinheiro e comida, uma vez que ficámos parados no meio do cruzamento. Surreal.

Para além dos porcos, camelos e vacas, também se vêm cabras, cavalos, burros, cães, cobras, esquilos, macacos, elefantes, galos, etc. Só falta mesmo o guarda florestal.

No outro dia fomos visitar uma fábrica de jóias ao pé do Water Palace muito conhecida, já lá esteve o Sting, Beastie Boys, etc. Ficava no fim do mundo mas era líndissima, quando saímos passámos por uma casa que estava em festa. Fomos convidados a entrar e quando me apercebi  já estava sentado numa pequena divisão sentado no chão a comer com o resto das pessoas. Deram-me um prato feito de folhas, com comida que é certamente diferente da que se come num restaurante indiano. Era óptima, genuína. Falei um pouco com eles e disseram-me que aquilo era tudo uma família (para cima de 200 pessoas) e estavam a festejar em honra de três deuses que na altura aprendi o nome mas já me esqueci! Espetacular!

Segunda feira vou começar o meu curso de Yoga :D

Agora vou apanhar um riquexó e vou outra vez ao Water Palace, é lindíssimo, vou aqui colocar algumas fotografias.

Até breve ;)

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Namasté

11/07/2009

Estou neste momento a sair de Agra em direcção a Jaipur, a nossa cidade. Estivémos duas noites num hotel, sim não devíamos ter ficado num hotel, mas foi bom. Foi bom porque até chegarmos a Agra senti que não estava em Portugal mas também não estava na Índia. Andámos à deriva entre a escola, o centro da cidade, e a nossa residência.Como ainda não comecei a trabalhar parece que não estou cá a fazer nada, mas também não estava a fazer turismo. Senti que não estava no presente. Fiquei duas noites no hotel de Agra (12euros por noite 3 estrelas que equivale a 4 nossas), e visitámos algumas zonas da cidade. Pela primeira vez andámos sozinhos sem o apoio da escola, e isso foi óptimo porque eles não nos ajudam muito, mas controlam-nos imenso. Já tratei tudo com o Pushkin, responsável da AIESEC por nós, e já consegui que nos arranjassem uma casa para todos. Amanhã mudamos para lá, eu e os outros estagiários.

As moções chegaram! Há dois dias estavam 48graus! Ontem já choveu imenso e as temperaturas estão mais baixas, e em contrapartida a humidade disparou. Ainda assim é muito melhor agora do que os 40 e muitos graus que tivemos no início.

Adorei estes dias em Agra! Já comecei a fazer algumas compras, negociar com os indianos é viciante. Eles pedem-nos 44000 rupias e conseguimos por 2500 rupias. Mesmo antes de sair de Agra fui a uma loja e comprei três fatos completos (uma túnica e umas calças cada) mais umas calças simples, mais um sari que tem 6 metros de seda azul, mais duas pequenas estátuas de madeira. Por tudo paguei as tais 2500Rs equivale a 37€ +/-. Ainda assim conseguia ter trazido tudo por metade do preço. O nosso transporte são os riquexós, existem a gasolina e a pedais, normalemente andamos nos a gasolina, mas andar num riquexó a pedais é por si só uma grande experiência. Aqui eles funcionam muito à base de comissões, negociamos com eles o preço da viagem antes de entrar, normalmente pagamos 10 ou 15 Rs por uma viagem (1€=65Rs, portanto 10Rs são alguns centimos), e eles dizem sempre para pararmos numa ou duas lojas. Se o fizermos conseguimos mais barato porque eles recebem 15% por cada compra que fazemos nessas lojas.
Ontem foi tudo uma grande aventura. Eu a Marta e a Catarina andámos num riquexó a pedais (o condutor que já não era novo bem que se esforçou para nos levar colina acima…), o senhor era super amoroso, em regra geral os condutores de riquexós a pedais são muito mais honestos e verdadeiro s que os outros, “I am very happy that you came to Agra, because you brought the rain with you!”. Falei com ele durante a viagem e depois contou-me que recebia 50Rs se entrassemos naquela loja.  Achei que lhe podíamos dar isso e entramos na loja. Acabei por fazer um grande negócio. Um grande negócio mesmo! Reduzi o preço para menos de um quarto e trouxe coisas lindíssimas. Para conseguir ainda mais barato combinei com o homem que pagava uma parte com cartão e outra parte com dinheiro, assim eles podem fugir aos impostos. Trouxe as coisas comigo, paguei com o cartão e fui para o hotel. Na hora do pagamento acho que me engaram e ficaram com os números dos meus cartões, e até viram a forma como assinei. Cheguei ao hotel liguei para o meu banco e anulei o cartão! Às 11 da noite desse dia ele foi ter conosco ao nosso hotel para lhe dar o resto em dinheiro (não tinha na altura), ele chegou com mais dois indianos e dei-lhes um envelope. Contaram o dinheiro e foram-se embora. Parece que estou num filme de mafiosos!
Seja como for o negócio correu bem e se as coisas que comprei forem mesmo verdadeiras fiz mesmo um grande negócio, e eu tenho a certeza que são.

Antes de entrar no autocarro comprei um côco à beira de estrada  e partilhei com o resto dos estagiários, soube-me pela vida.

As pessoas na Índia são muito simpáticas e receptivas. Sim, por vezes tentam enganar-nos com os preços, mas isso é natural. Eles não têm nada e estão a fazer pela vida. Mas são honestos. Por exemplo, vendedores de rua: se aceitamos um preço (alto ou baixo) se lhes dermos uma nota que eles não têm troco ficam com ela e desaparecem, 10 minutes sir, e passados 10 minutos voltam atrás para nos dar o troco certo. São honestos. Na Índia ninguém rouba, roubar é muito mal visto na cultura deles, e respeitam-nos imenso.
É muito errado um homem tocar numa mulher. Os homens andam de mão dada na rua e as mulheres também, mas não podem tocar no sexo oposto. Ontem um vendedor de rua tocou sem querer numa das estagiárias no braço e pediu mil vezes perdão pelo acidente.

Na rua vêm-se imensas crianças que não têm nada para comer, mas têm um olhar vivo. Sente-se imensa energia na cara delas. Infelizmente não podemos dar nada a nehuma delas caso contrário somos rapidamente engolidos por uma multidão de crianças que rapidamente nos cercam a pedir. Vamos ter oportunidade de as ajudar quando começarmos o nosso estágio.

Hoje é um dia bom. Sinto-me feliz.

Até breve :)

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Agra, dia 2

08/07/2009

Olá mundo perfeito. Mais um dia na India. Hoje vim até Agra, cidade do Taj Mahal.
É indescritível o que sinto, o que vejo. As pessoas aqui ambicionam ter um riquexó a gasolina em vez de um riquexó a pedais, são aqueles “taxis trotinete”, imaginem o que é passar o dia a puxar pessoas numa bicicleta com uns 100kg mais o peso das pessoas, colina acima colina abaixo. Por uma viagem de 20 minutos pagamos umas 40Rs, que é menos do que 50 centimos de euro.
O mindset não tem nada a ver. Apesar disso a realidade ainda não me bateu a sério. O meu estágio ainda não começou e isso também me ajuda a atenuar o choque cultural, temos andado a fazer algum turismo, e temos tido tempo livre para nós. Isso ajuda.
Hoje por exemplo almoçámos na Pizza Hut para matar a fome, sim porque a comida aqui… esqueçam. Não é o sabor. É o facto de ser comida indiana providênciada pela escola, servem-nos numas grandes panelas numa cave com uma bancada feita de uns tapumes com uns banquinhos para comermos e um chão que não foi lavado desde que foi inventado o pão de forma. A higiene preocupa todos os estagiários e tentamos ambientarnos aos poucos.

Olá mundo perfeito. Mais um dia na India. Hoje vim até Agra, cidade do Taj Mahal.

É indescritível o que sinto, o que vejo. As pessoas aqui ambicionam ter um riquexó a gasolina em vez de um riquexó a pedais, são aqueles “taxis trotinete”, imaginem o que é passar o dia a puxar pessoas numa bicicleta com uns 100kg mais o peso das pessoas, colina acima colina abaixo. Por uma viagem de 20 minutos pagamos umas 40Rs, que é menos do que 50 centimos de euro.

O mindset não tem nada a ver. Apesar disso a realidade ainda não me bateu a sério. O meu estágio ainda não começou e isso também me ajuda a atenuar o choque cultural, temos andado a fazer algum turismo, e temos tido tempo livre para nós. Isso ajuda.

Já comprei algumas roupas típicas, mais adequadas ao calor. Regatear é fantástico, já consigo baixar 70% o preço :)

Hoje por exemplo almoçámos na Pizza Hut para matar a fome, sim porque a comida aqui… esqueçam. Não é o sabor. É o facto de ser comida indiana providênciada pela escola, servem-nos numas grandes panelas numa cave com uma bancada feita de uns tapumes com uns banquinhos para comermos e um chão que não foi lavado desde que foi inventado o pão de forma. A higiene preocupa todos os estagiários e tentamos ambientarnos aos poucos.

Vou começar a trabalhar no Sábado, entretanto vou fazer mais algum turismo. Descobri que afinal o meu estágio não vão ser 8 semanas como pensei inicialmente, mas sim apenas 6 semanas. Fiquei super feliz com isto e vou tentar ficar com a última semana para viajar. A minha ideia é ir uma semana para o Tibete ou para o Nepal, para um centro de meditação.

Publico aqui algumas fotos, de Jaipur e Agra. Mais tarde faço upload do Taj Mahal.

Muito amor da India.

Bruno :D

PS: A catarina diz “Hi mom, beijinhos a todos”.

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Primeiro dia

07/07/2009

Bom dia! Hoje é o meu primeiro dia em Jaipur, cheguei ontem à noite. Não foi uma viagem fácil.

Estou a dormir na mesma residência que as pessoas da escola que gere os projectos.

Hoje acordei cedo e vim para a tal escola, estou sentado numa pequena sala à espera dos outros estagiários, já cá estão alguns. Três chineses e três marroquinos.

Ao que parece tive sorte com o sítio com que fiquei, “new facilities, very good”. É engraçado que não foi a sensação que tive quando lá entrei, mas pelos padrões da cidade estou muito bem instalado ao que parece..

Assim que passámos as portas do aeroporto de Delhi fomos atingidos por uma barreira de calor. A temperatura é sufocante, ainda não consegui ver um termómetro, mas seguramente marcam acima de 40 graus.

Já andámos de taxi e de riquexó. É uma experiência per se. As estradas são… diferentes. Eu penso que aqui se conduza pela esquerda, mas isso não é muito importante, conduz-se onde houver mais espaço. Acho impressionante que não hajam acidentes, a condução é aleatória e os condutores servem-se da buzina a cada 2 segundos para avisar os outros da presença. Aliás, todos os carros lêm na traseira “horn please”, é uma forma de comunicação!

Comprei ontem um cartão indiano portanto já tenho um número de telefone. É o que uso todos os dias e podem ligar ou enviar sms, para vocês pagam uma chamada internacional. O indicativo da India é 0091, e o número é 9650513124. Penso que funciona se marcarem 00919650513124. Fico à espera de uma mensagem! :)

O meu pequeno almoço foi chá-verde (bastante diferente daquele que estão agora a imaginar) a acompanhar macarrão. Um mimo.

Hoje espero dar uma volta pela cidade, comprar roupas mais frescas e tirar algumas fotografias. Aqui ficam algumas que tirei ontem enquanto andava no riquexó. (não consegui fazer upload dos vídeos).

Farei updates quando puder.

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Cheguei há pouco a casa. À casa onde vou ficar. Não sei por quanto tempo, um dia? uma semana? Ainda não tenho as coisas organizadas, o meu estágio começa no dia 15.
Estou estafado, duas noites em branco e muitas horas de viagem. Amanhã será para descansar e tentar encontrar-me com os outros portugueses, fomos separados rapazes e raparigas.

Até agora nenhum problema maior, os indianos são muito receptivos e estão a tratar-nos muito bem.
Jantei agora, vou tomar um duche e dormir.

Assim que puder vou publicar algumas das fotografias e vídeos que já tirei.

PS: O trânsito é qualquer coisa de outro mundo! Só vendo ao vivo se percebe o que estou a falar!

Por agora é tudo, até breve…

Cá está com toda a sua pompa e altivismo, o meu blog. Usar a palavra meu pode ser abusivo uma vez que estou a inteirar algo que é apenas parte. Este blog vai reportar os próximos meses da minha vida para criar um registo do trabalho que vou desenvolver e ao mesmo tempo encurtar a distância entre Portugal e a Índia. Assumir que é o meu blog é assumir que estes próximos 2 meses reflectem que eu sou. Não me parece que assim seja, por enquanto será o blog da minha viagem.

É na Índia que estarei, com partida marcada para o dia 5 de Julho. O trabalho que vou desenvolver insere-se num estágio da AIESEC de desenvolvimento social. Vou estagiar numa Organização Não Governamental a colaborar num projecto que se chama SYNERGY. A Job Description é longa mas um exemplo do trabalho que vou estar a fazer são as sessões e workshops apresentados em escolas secundárias e universidades indianas, abrangendo temáticas de HIV/Sida, tolerância cultural, empreendorismo, direitos das crianças, etc.

Vou aterrar em New Delhi e depois vou de comboio até Jaipur, onde o comité da AIESEC vai estar à minha espera para me levar até à minha casa, juntamente com os outros estagiários. A casa onde ficamos é partilhada com mais estagiários de todo o mundo por isso vai ser o melting pot intercultural. No estágio as pessoas são divididas em equipas de 10 pessoas, todas elas de diferentes partes do mundo também.

Hoje voltei a casa, ao algarve, e vou cá ficar nos próximos dias a preparar a minha viagem. Como é que se prepara para uma viagem destas? Para além de assegurar algumas coisas básicas como as vacinas exóticas e os bens de primeira necessidade, pouco mais é preciso levar. A maior preparação será a psicológica. Essa é a mais complexa. Não se arrumam expectativas e emoções numa mochila, é preciso parar uns segundos e pensar O que é que eu estou a fazer? Porque?! Neste momento ainda não estou mentalizado do que me vai acontecer daqui a duas semanas (14 dias!), a minha cabeça anda a 300 por hora e estou a viver num turbilhão de emoções.

Parar para pensar.


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